
ELEIÇÕES 2026
Escolha feita em poucos segundos pode influenciar decisões públicas durante anos; informação, fiscalização e cobrança também fazem parte do exercício do voto
Com a aproximação das Eleições Gerais de 2026, o debate político ganha força, os candidatos ocupam as ruas e as redes sociais passam a ser tomadas por propostas, discursos, promessas e disputas políticas. No Maranhão, assim como em todo o país, o eleitor começa a se deparar cada vez mais com pedidos de voto e diferentes versões sobre quem pretende ocupar os cargos em disputa.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026. Neste ano, os brasileiros escolherão presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual. Um eventual segundo turno para presidente e governador ocorrerá em 25 de outubro.
Mas existe uma questão que deveria estar presente muito antes do eleitor chegar à cabine de votação:
Em quem você está colocando a sua confiança e por quê?
Voto não pode ser tratado como favor
Durante o período eleitoral, é comum que o eleitor seja procurado por candidatos, apoiadores e grupos políticos. Também é comum que surjam promessas para diferentes setores da sociedade.
O problema começa quando a escolha deixa de ser baseada em informação e passa a depender apenas de amizade, parentesco, paixão política, influência nas redes sociais, benefícios pessoais ou promessas feitas sem que o eleitor conheça a trajetória de quem está pedindo seu voto.
Votar é um direito. Mas também envolve responsabilidade.
O eleitor não está simplesmente escolhendo um nome para ocupar uma cadeira. Está escolhendo quem terá participação em decisões que podem afetar políticas públicas, orçamento, serviços essenciais e a vida da população durante todo o mandato.
Por isso, antes de escolher, é necessário olhar para além do discurso.
Pesquisar também é votar
O próprio Tribunal Superior Eleitoral mantém ferramentas para que o eleitor possa consultar informações sobre candidatos e campanhas.
Nas Eleições 2026, o sistema DivulgaCandContas disponibiliza informações como declaração de bens, certidões, arrecadação e despesas de campanha. Os dados da prestação de contas parcial estão disponíveis para consulta desde 15 de setembro.
Isso significa que o eleitor não precisa depender exclusivamente do que recebe em grupos de WhatsApp, vídeos de TikTok, Instagram ou discursos de campanha.
É possível pesquisar.
É possível comparar propostas.
É possível conhecer o histórico político.
É possível verificar informações oficiais.
E é possível questionar aquilo que parece bom demais para ser verdade.
Não escolha apenas pelo que aparece na tela
A eleição de 2026 também ocorre em um ambiente de intensa circulação de conteúdo digital. Por isso, a atenção precisa ser redobrada.
O TSE estabeleceu regras específicas para o uso de inteligência artificial e para conteúdos sintéticos durante o período eleitoral. A Justiça Eleitoral também vem orientando o eleitorado sobre desinformação e irregularidades na propaganda.
Uma publicação com milhares de visualizações não significa, por si só, que a informação seja verdadeira.
Uma promessa repetida muitas vezes continua precisando ser analisada.
Uma acusação contra um adversário também não deve ser automaticamente tratada como fato sem verificar sua origem.
Em uma eleição, informação é poder. E informação sem verificação pode transformar-se em desinformação.
O voto dura mais do que um domingo
Talvez essa seja uma das principais questões que o eleitor deveria levar para as urnas:
O voto dura alguns segundos. O mandato, anos.
Depois que o resultado é anunciado, a responsabilidade do cidadão não desaparece.
O eleitor continua tendo o direito de acompanhar o trabalho de quem foi eleito, cobrar compromissos, questionar decisões e buscar informações sobre a utilização dos recursos públicos.
A própria estrutura eleitoral prevê mecanismos de transparência e fiscalização. Candidatos e partidos devem prestar contas à Justiça Eleitoral sobre a movimentação financeira das campanhas.
Ou seja: participação política não deveria começar apenas quando a campanha começa nem terminar quando a urna é desligada.
Antes de votar, faça perguntas
Antes de apertar o botão verde, algumas perguntas são simples, mas importantes:
Quem é o candidato?
Qual é sua trajetória?
O que ele realmente propõe?
As propostas são compatíveis com as atribuições do cargo que pretende ocupar?
Qual é seu histórico na vida pública, quando houver?
Como sua campanha está sendo financiada?
De onde vêm as informações que você está recebendo sobre ele e sobre seus adversários?
Você está escolhendo por convicção ou apenas seguindo o grupo ao seu redor?
Não existe uma resposta única para essas perguntas. A decisão pertence ao eleitor.
O papel da informação é justamente permitir que essa decisão seja tomada com mais conhecimento.
Depois da eleição, vem a cobrança
Um dos erros mais comuns no debate político é tratar a eleição como o ponto final da participação popular.
Não é.
O eleitor que escolhe também pode acompanhar.
Pode cobrar.
Pode fiscalizar.
Pode questionar.
Pode reconhecer quando uma promessa foi cumprida e apontar quando uma obrigação pública não está sendo atendida.
Democracia não se resume ao momento em que o cidadão digita os números na urna. O processo também envolve transparência, fiscalização, participação e acesso à informação.
O voto é individual. A consequência é coletiva
Cada eleitor entra na cabine sozinho. A escolha é individual e secreta.
Mas as consequências das decisões tomadas pelos eleitos atingem toda a sociedade.
É por isso que, às vésperas das eleições, mais importante do que perguntar “em quem todo mundo está votando?” é perguntar:
“Eu conheço o suficiente sobre os candidatos para fazer minha própria escolha?”
Não se trata de votar em quem alguém mandou.
Não se trata de seguir uma multidão.
Não se trata de trocar o voto por uma promessa.
E também não se trata de acreditar cegamente em tudo que aparece na internet.
Trata-se de pesquisar, comparar, refletir e decidir.
A escolha é sua. A responsabilidade também
As eleições chegam em um único dia, mas os efeitos das escolhas podem permanecer durante todo o mandato.
Por isso, antes de votar, olhe para além do santinho, do vídeo bonito, do discurso inflamado e da promessa de campanha.
Conheça quem está pedindo seu voto.
Leia.
Pesquise.
Questione.
Confira as informações.
E, principalmente, não terceirize a sua escolha.
Porque o voto é seu.
A decisão é sua.
E depois que as urnas forem abertas, a população continuará vivendo com as consequências das decisões tomadas nas urnas.
Votar não é apenas escolher. É também acompanhar, fiscalizar e cobrar.
Nas Eleições 2026, o eleitor terá novamente a oportunidade de participar diretamente da escolha dos representantes. Que essa escolha seja feita com informação suficiente para que, independentemente de quem cada cidadão decida apoiar, o voto seja verdadeiramente consciente.