
Alexandre de Morais
Ministro Alexandre de Moraes cancelou uma fala que faria nesta quinta-feira (10); decisão ocorre após Edson Fachin retirar dele a relatoria do inquérito das fake news e em meio à crise envolvendo mensagens com Daniel Vorcaro
O Supremo Tribunal Federal atravessa uma das mais delicadas crises internas dos últimos anos. Nesta quinta-feira (10), o ministro Alexandre de Moraes cancelou um pronunciamento que estava previsto para ocorrer pela manhã, justamente em um momento de forte tensão dentro da Corte.
A fala havia sido anunciada sem tema oficial divulgado. Posteriormente, o STF informou que o pronunciamento foi cancelado e será remarcado.
O cancelamento acontece um dia depois de uma decisão que atingiu diretamente a atuação de Moraes: o presidente do STF, Edson Fachin, retirou do ministro a relatoria do chamado inquérito das fake news, que estava sob sua condução desde 2019.
A decisão de Fachin preservou os atos praticados por Moraes até o momento da mudança. O inquérito continua em andamento.
O que está por trás da crise?
A tensão aumentou depois que vieram a público mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. As mensagens colocaram sob escrutínio a relação entre Vorcaro e Moraes.
É importante destacar: a existência das mensagens e a investigação são fatos noticiados, mas isso não significa que Moraes tenha cometido crime. Até o momento, não há condenação contra o ministro relacionada a essas acusações.
O episódio, porém, provocou uma disputa institucional dentro do próprio Supremo.
Moraes havia incluído no inquérito das fake news acusações contra o ministro André Mendonça. Dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal que continha mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
Fachin decidiu então retirar a investigação envolvendo Mendonça do inquérito e centralizar o caso na Presidência do Supremo.
E agora?
A situação ficou ainda mais grave depois de decisões conflitantes envolvendo os ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal.
Fachin suspendeu as decisões conflitantes e manteve Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da PF, afirmando que a sequência de decisões havia provocado uma grave crise institucional.
O presidente do STF também convocou uma sessão extraordinária para 15 de setembro, quando o plenário deverá analisar o relatório da Polícia Federal relacionado às mensagens entre Moraes e Vorcaro e discutir os próximos passos do caso.
Um Supremo dividido?
O episódio expõe uma situação incomum: ministros da mais alta Corte do país passaram a protagonizar decisões conflitantes, enquanto o próprio presidente do STF precisou intervir para tentar impedir que a disputa interna aumentasse.
O próprio Fachin afirmou recentemente que “nenhuma autoridade e nenhum Poder da República” está acima da Constituição e defendeu que a crise seja enfrentada dentro da legalidade e do devido processo.
Agora, o pronunciamento cancelado de Moraes ganha ainda mais expectativa.
O que o ministro pretendia dizer? Por que a fala foi cancelada justamente neste momento? E o que será decidido pelo plenário no dia 15?
Essas perguntas ainda não têm resposta oficial.
O que já está confirmado é que Moraes perdeu a relatoria de um dos processos mais importantes e controversos do STF, o tribunal enfrenta uma crise interna e uma sessão extraordinária foi marcada para discutir o caso que colocou o próprio ministro no centro da controvérsia.
E, desta vez, a crise não está vindo apenas de fora do Supremo.
Ela está acontecendo dentro dele.
Texto produzido pelo W7 Podcast com base em informações divulgadas por fontes jornalísticas e órgãos oficiais. As acusações e suspeitas mencionadas permanecem sob apuração e não devem ser tratadas como condenação ou comprovação de crime.








